Bosque de Caliandras sobre laje de pedra. Esse trabalho contou com a colaboração do bonsaista Ronivaldo, que efetuou a cobertura fotográfica, sendo executado pelo bonsaista Luiz Fernando, seguindo modelo previamente desenhado, com a disposição correta das plantas. Foram utilizadas 19 plantas no trabalho.
CARMONA MACROPHYLLA (FUKIEN TEA) : desenvolvimento e formação de ramificação lateral fina.
A Carmona (Ehretia buxifolia) é uma espécie sempre verde que vem sendo sistematicamente cultivada como bonsai em períodos que remontam aos primórdios da arte, principalmente na China e Taiwan, sendo conhecida tambem por FUKIEN TEA, ou seja, chá originario de Fukien (provincia de Fuijan, no sudoeste da China). A variedade mais cultivada é a macrophylla, que produz flores diminutas, na cor branca, um forte atrativo nessa espécie bem como a beleza de suas folhas verdes brilhantes e serrilhadas. Seu cultivo é relativamente fácil, sendo uma planta que engrossa rápido o tronco, principalmente se cultivada no solo, permitindo sua conversão em praticamente qualquer um dos variados estilos clássicos japoneses, bem como também os estilos chineses.
Visando uma boa formação estrutural aerea bem como uma ótima densificação, podemos conseguir isso quase que sem o uso de arames, apenas usando podas de formação e manutenção. Nesta matéria, exemplifico com fotos e explicações, como obter ramificação fina lateral nos galhos, algo que geralmente não é muito explorado quando se fornece dicas de cultivo dessa espécie.
Observando um galho qualquer em determinada planta, notamos que ele apresenta "N" galhos laterais, que por sua vez terão tambem outros galhos laterais. A isso se chama ramificação fina, significando que, com esse método, pode ser formado uma estruturação de ramos ou galhinhos laterais, o que proporciona uma boa densificação numa planta. A melhor comparação a essa estrutura é olhar a palma do nossa mão, com todos os dedos afastados. Esse é o efeito que buscamos, ao imprimir o uso dessa técnica.
O presente trabalho visa justamente mostrar como se dá a formação de vários galhos laterais num determinado galho. Pode ser conseguida com a retirada das folhas iniciais, que brotam na base das brotações em forma de "tufos" ao longo de um galho qualquer. Retira-se apenas as folhas na base do "tufo", mantendo as demais do mesmo, estimulando com isso que as brotações mantidas irão dar ensejo ao crescimento e desenvolvimento de um novo galho lateral. Podemos dizer, então, que cada "tufo" ao longo de um galho, se bem trabalhado, conduzirá a formação de um novo galho a partir do ponto escolhido pelo cultivador.
Observe nas imagens abaixo, um galhinho que possui ramificações laterais. Os dois novos galhinhos mais altos foram conseguidos usando essa técnica. Com eles, pode ser formado novos galhos, abrindo outras ramificações finas, aumentando a area planificada dessa rama em destaque:
Visando uma boa formação estrutural aerea bem como uma ótima densificação, podemos conseguir isso quase que sem o uso de arames, apenas usando podas de formação e manutenção. Nesta matéria, exemplifico com fotos e explicações, como obter ramificação fina lateral nos galhos, algo que geralmente não é muito explorado quando se fornece dicas de cultivo dessa espécie.
Observando um galho qualquer em determinada planta, notamos que ele apresenta "N" galhos laterais, que por sua vez terão tambem outros galhos laterais. A isso se chama ramificação fina, significando que, com esse método, pode ser formado uma estruturação de ramos ou galhinhos laterais, o que proporciona uma boa densificação numa planta. A melhor comparação a essa estrutura é olhar a palma do nossa mão, com todos os dedos afastados. Esse é o efeito que buscamos, ao imprimir o uso dessa técnica.
O presente trabalho visa justamente mostrar como se dá a formação de vários galhos laterais num determinado galho. Pode ser conseguida com a retirada das folhas iniciais, que brotam na base das brotações em forma de "tufos" ao longo de um galho qualquer. Retira-se apenas as folhas na base do "tufo", mantendo as demais do mesmo, estimulando com isso que as brotações mantidas irão dar ensejo ao crescimento e desenvolvimento de um novo galho lateral. Podemos dizer, então, que cada "tufo" ao longo de um galho, se bem trabalhado, conduzirá a formação de um novo galho a partir do ponto escolhido pelo cultivador.
Observe nas imagens abaixo, um galhinho que possui ramificações laterais. Os dois novos galhinhos mais altos foram conseguidos usando essa técnica. Com eles, pode ser formado novos galhos, abrindo outras ramificações finas, aumentando a area planificada dessa rama em destaque:
Esse galhinho, porém, não ficará muito tempo, nem permitirei que cresça em demasia, pois preciso de um ramo extra, não de um galho longo novo. Veja na imagem abaixo um galho bem ramificado, em que deverei formar outras ramificações, para melhorar. O emprego dessa técnica de formação é contínuo, até que o galho alcance o estágio que o cultivador julgar necessário:
Todos os galhos dessa planta estão sendo trabalhados nesse sentido. Seleciono um "tufo", geralmente o mais próximo da área em que desejo um galho lateral, retiro as folhas mais antigas da base do "tufo" (de tonalidade verde escuro), estimulando assim o crescimento de um novo galhinho no lugar do "tufo" inicial. Deixo crescer até determinado ponto, depois corto no tamanho aproximado do galho que pretendo formar ali:
Observando que, além de conseguir otimizar uma ramificação fina, ao mesmo tempo obtenho densificação, isto é, uma aumento da massa verde de folhas mais intensa e próxima do tronco. Veja o detalhe abaixo, de um novo galho obtido com esse recurso:
Na foto abaixo, o tachiagari (primeiro terço do tronco) e o nebari ainda por corrigir nessa carmona, cultivada em um vaso de treinamento de cimento, pois falta um queijo e uma rapadura para chegar ao ponto final, portanto, ainda é um pré bonsai:
Igual a outras carmonas que cultivo, essa planta foi obtida via estaquia sendo desenvolvida, após enraizada, diretamente no chão por um período aproximado de tres anos, sendo retirada e envasada primeiro em uma bacia plastica grande, com borda alta, onde permaneceu mais tres anos, tempo mínimo para recuperação e emissão de boa quantidade de raízes capilares, após isso, foi envasada no o vaso atual, que permitirá acondicionamento de suas raízes, limitadas pelo espaço fisico do vaso. Com isso, consigo ao final de sua formação, o reenvase em um recipiente ainda menor e mais adequado ao estilo (moyogi) e a sua característica feminina.
Abaixo, outra carmona, obtida por estaca e deixada crescer no chão por tres anos, retirada há um ano. Após sua recuperação inicial, iniciou a brotação de novos galhos, sendo selecionados os que estavam mais bem posicionados, iniciando com eles a estruturação aerea da planta:
Abaixo, outra carmona, obtida por estaca e deixada crescer no chão por tres anos, retirada há um ano. Após sua recuperação inicial, iniciou a brotação de novos galhos, sendo selecionados os que estavam mais bem posicionados, iniciando com eles a estruturação aerea da planta:
Observando que as brotações ainda estão numa fase bem inicial. É preciso deixar os galhos alongarem-se bem, antes de cortar, reduzindo seu comprimento. Para isso, aguardo uma boa linificação, isto é, a madeira do galho deverá ter um bom cerne, antes de ser cortada. Mas isso não impede que, ao mesmo tempo, vá selecionando os tufos que irão originar novos galhos laterais:
Os galhos laterais podem ser formados praticamente usando-se apenas poda de refinamento. Mas para formar um tronco com conicidade e movimento otimizados, é preciso selecionar o galho mais bem posicionado, eleito como galho apical, e aramar:
Aqui, um detalhe de um dos galhinhos, onde aparecem alguns "tufos" bem iniciais. Neles, retiro duas folhas maiores e mais velhas, para forçar a ramificação lateral:
A cor verde escura das folhas mostra que estão prontas para serem retiradas da base do "tufo", liberando um novo segmento na area escolhida:
Galhos na base do tronco ou próximas a cortes podem ser mantidos por um período, como forma de corrigir algum defeito ou permitir uma cicatrização melhor no corte:
Fora isso, devem ser prontamente eliminados, pois irão subtrair energia da planta necessária nos pontos mais importantes. No detalhe, um galhinho ainda "verde", isto é, que não está devidamente linificado para permitir formação de ramificação lateral. A cor da madeira deve ser mais escura, o que denota amadurecimento, estando então apta a receber inclusive aramação, caso seja necessária:
Em outra Carmona, percebe-se uma boa densificação, com os "tufos" bem próximos uns dos outros. Isso permite uma seleção criteriosa e bem proporcional, em termos de posição correta, na hora de escolher os galhos das ramificações laterais. Esses galhos serão deixados crescer livremente pelos próximos dois anos:
Como a planta anterior, um galho apical foi selecionado e aramado, para formar conicidade e movimento continuado ao tronco:
Observe a cor verde escura da folha que seguro, em relação as mais próximas. Isso aponta que ela pode ser retirada, oportunamente, para permitir a ramificação lateral:
Nessa outra carmona, alguns galhos mais bem posicionados foram mantidos. Seu crescimento vigoroso foi estimulado, devendo ser mantidos longos para engrossar pelos próximos tres anos. Findo esse prazo, terão seu comprimento bem reduzido, algo em torno de no máximo um palmo cada, para então serem reiniciados com vistas a formação estrutural lateral:
No caso dessa planta, em que o tronco apresenta um bom diametro, a sua altura final deverá ficar em 30 ou 40 cm, ainda é prematura a formação de ramificação lateral. Por isso os galhos mantive seu desenvolvimento e crescimento alongado, o que irá favorecer o engrossamento deles em seu primeiro terço:
O Tachiagari, ou seja, o primeiro terço do tronco, apresenta um bom diametro e um movimento relativo, a ser explorado com a continuidade num dos galhos apicais a ser ainda selecionado como principal:
Por tratar-se de uma planta recentemente coletada do solo, nos próximos anos à medida em que sua estrutura aerea for sendo trabalhada, poderei sempre corrigir o tronco, com podas necessárias bem como com alteração no posicionamento de plantio, qual seja, alterando o ângulo do tronco, caso isso se faça necessário. A cor verde escura denota o cultivo em local sombreado (embaixo de uma arvore frondosa), sendo que o substrato ideal, para essa fase, é composto basicamente de matéria organica em decomposição, com um pouco de pedrisco e de caco ceramico.
Ressalte-se que essa espécie aprecia solo umido (mas não encharcado) e bem nutrido, sendo então feito aporte a cada 45 dias de adubação orgânica (TM+FO+FOSWAY), em todos os meses do ano, inclusive no inverno. A rega é feita sempre ao final da tarde, apenas uma vez, e apenas se for necessária, isto é, se o solo estiver um pouco seco na superficie. A bacia plastica está sobre uma bancada de cimento, mas é mantida mais alta, com apoio, para favorecer a circulação de ar no fundo, contribuindo para uma boa aeração das raízes.
Ressalte-se que essa espécie aprecia solo umido (mas não encharcado) e bem nutrido, sendo então feito aporte a cada 45 dias de adubação orgânica (TM+FO+FOSWAY), em todos os meses do ano, inclusive no inverno. A rega é feita sempre ao final da tarde, apenas uma vez, e apenas se for necessária, isto é, se o solo estiver um pouco seco na superficie. A bacia plastica está sobre uma bancada de cimento, mas é mantida mais alta, com apoio, para favorecer a circulação de ar no fundo, contribuindo para uma boa aeração das raízes.
Yamadori - coletando mudas:
Uma das maneiras mais conhecidas e divulgadas de se iniciar um trabalho com determinada planta, visando finalizar como um bonsai, é o Yamadori. Esse recurso é utilizado há séculos e visa encurtar o caminho para o cultivador, que ao recuperar do solo uma planta adulta, desenvolvida, com um tronco grosso e algum movimento, consegue em um tempo razoável transformá-la em um lindo e atrativo bonsai. Essa técnica requer uma série de cuidados e preparação, antes de ser colocada em prática, visando principalmente garantir que a planta retirada do solo tenha condições de ser aproveitada de maneira plena, sem perda de importantes partes, como as raízes capilares, que são as raízes finas que contribuem para a manutenção da vida da planta.
Antigamente, nos primórdios do bonsai, exigia-se que a recuperação de plantas, para ser exclusivamente considerada como yamadori deveria ser realizada na natureza. Atualmente, porém, com restrições sujeitas a variados graus de penalidade para os infratores, a maioria dos países rejeita essa prática, por considerá-la uma agressão à natureza. Face isso, é cada vez mais comum que o yamadori seja praticado em áreas especificamente destinadas a isso, ou em áreas de cultivo propriamente ditas, como jardins e parques de grandes viveiros. Alguns bonsaistas, menos temerosos das consequências advindas da ilegalidade cometida, ainda se arriscam em continuar com a prática da retirada na natureza, mas é cada vez menor seu numero de praticantes.
Há algum tempo optei por cultivar determinadas espécies no solo da chácara em que resido. A exemplo de outros bonsaistas que tomaram essa iniciativa, faço podas de manutenção e conservação nas plantas, enquanto elas vão aos poucos engrossando seus troncos, mantendo porém um controle parcial em seu crescimento, buscando principalmente a manutenção dos galhos primários, visando com isso facilitar o trabalho de modelamento futuro, após retirar as plantas do solo.
Ainda que a recuperação desse tipo de material não possa ser considerada como um yamadori, não há outro adjetivo para classificá-lo, sendo então comumentemente associado a essa técnica a recuperação de plantas cultivadas em solo controlado, como o é o meu viveiro. Recentemente, com o auxilio prestimoso dos bonsaistas associados Wagner e Roni, procedi a retirada de alguns ficus retusa, que estavam crescendo livremente há cinco anos:
Antigamente, nos primórdios do bonsai, exigia-se que a recuperação de plantas, para ser exclusivamente considerada como yamadori deveria ser realizada na natureza. Atualmente, porém, com restrições sujeitas a variados graus de penalidade para os infratores, a maioria dos países rejeita essa prática, por considerá-la uma agressão à natureza. Face isso, é cada vez mais comum que o yamadori seja praticado em áreas especificamente destinadas a isso, ou em áreas de cultivo propriamente ditas, como jardins e parques de grandes viveiros. Alguns bonsaistas, menos temerosos das consequências advindas da ilegalidade cometida, ainda se arriscam em continuar com a prática da retirada na natureza, mas é cada vez menor seu numero de praticantes.
Há algum tempo optei por cultivar determinadas espécies no solo da chácara em que resido. A exemplo de outros bonsaistas que tomaram essa iniciativa, faço podas de manutenção e conservação nas plantas, enquanto elas vão aos poucos engrossando seus troncos, mantendo porém um controle parcial em seu crescimento, buscando principalmente a manutenção dos galhos primários, visando com isso facilitar o trabalho de modelamento futuro, após retirar as plantas do solo.
Ainda que a recuperação desse tipo de material não possa ser considerada como um yamadori, não há outro adjetivo para classificá-lo, sendo então comumentemente associado a essa técnica a recuperação de plantas cultivadas em solo controlado, como o é o meu viveiro. Recentemente, com o auxilio prestimoso dos bonsaistas associados Wagner e Roni, procedi a retirada de alguns ficus retusa, que estavam crescendo livremente há cinco anos:
Após procurarmos por todo o viveiro, localizamos um ficus retusa interessante, vez que apresentava como caracteristica principal tratar-se de um tronco duplo. Foi feita uma limpeza superficial, retirando o excesso de mato que crescia junto da base, sendo iniciada então uma escavação em torno da planta, para a retirada com um torrão, como forma de preservar a maior quantidade de raizes possível.
Circundando toda a planta, escavar a certa profundidade facilita a retirada da planta, pois permite o corte de raizes mais grossas, desnecessárias para o cultivo e formação do futuro bonsai, pois agem apenas como pivotantes que mantém a planta firmemente presa ao chão.
O bonsaista Roni, após a retirada, exibe o volume de raízes, atestando saúde para esse ficus.













































